Prevenção e Tratamento do Cancro do Cólon em Portugal

O cancro do cólon é uma das doenças oncológicas mais comuns em Portugal e representa uma das principais causas de mortalidade por cancro no país. Apesar da sua prevalência, trata-se de uma doença que pode ser tratável e, em muitos casos, prevenível, especialmente quando diagnosticada precocemente. Neste artigo, iremos explorar de forma aprofundada o que é o cancro do cólon, quais são os seus fatores de risco, sintomas e métodos de diagnóstico, bem como as formas de prevenção e os tratamentos disponíveis. Com uma abordagem informada e consciente, é possível reduzir o impacto desta doença na população.

O que é o Cancro do Cólon e Quais os seus Fatores de Risco

O cancro do cólon, também conhecido como cancro colorretal quando inclui o reto, é um crescimento descontrolado de células anormais no intestino grosso. Estas células podem formar tumores malignos que, se não tratados, podem invadir tecidos adjacentes e espalhar-se para outras partes do corpo (metástases). A maioria dos casos de cancro do cólon desenvolve-se a partir de pólipos adenomatosos, que são formações benignas que podem ao longo do tempo transformar-se em tumores malignos.

Existem vários fatores de risco associados ao cancro do cólon. Estes incluem:

  • Idade avançada: A maioria dos casos é diagnosticada em pessoas com mais de 50 anos.
  • Histórico familiar: Ter familiares de primeiro grau com carcinoma colorretal aumenta significativamente o risco.
  • Doenças inflamatórias intestinais: Doença de Crohn e colite ulcerosa aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença.
  • Hábitos de vida: Dieta rica em gorduras e pobre em fibras, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e tabagismo contribuem para o risco.
  • Síndromes genéticas: Polipose adenomatosa familiar (FAP) e síndrome de Lynch são condições hereditárias que aumentam o risco.

Os sintomas do cancro do cólon podem ser silenciosos nas fases iniciais. No entanto, à medida que a doença progride, os principais sinais de alerta incluem:

  • Alterações persistentes no trânsito intestinal (diarreia ou obstipação)
  • Presença de sangue nas fezes
  • Dor abdominal frequente, cólicas ou sensação de inchaço
  • Perda de peso inexplicada
  • Sensação de evacuação incompleta

É importante notar que muitos destes sintomas podem estar relacionados com outras condições menos graves, mas não devem ser ignorados. A procura atempada de um profissional de saúde é essencial para um diagnóstico precoce e tratamento eficaz.

Diagnóstico, Prevenção e Tratamento do Cancro do Cólon

O diagnóstico do cancro do cólon é feito através de vários exames clínicos e laboratoriais. O mais eficaz e comum é a colonoscopia, que permite visualizar o interior do cólon e remover eventuais pólipos durante o exame. Para além da colonoscopia, podem ser realizados outros exames como:

  • Teste de sangue oculto nas fezes
  • Sigmoidoscopia flexível
  • Tomografia computorizada (colonoscopia virtual)
  • Exames de sangue para marcar o antígeno carcinoembrionário (CEA)

A prevenção do cancro do cólon passa essencialmente pelo rastreio regular, especialmente a partir dos 50 anos, ou antes em caso de histórico familiar relevante. A deteção precoce de pólipos e a sua remoção reduz drasticamente o risco de progressão para cancro. Além disso, mudanças no estilo de vida podem ter um papel crucial na prevenção da doença:

  • Adotar uma dieta equilibrada rica em frutas, vegetais, e cereais integrais
  • Reduzir o consumo de carnes vermelhas e processadas
  • Praticar exercício físico regular
  • Evitar o tabaco e limitar o consumo de álcool
  • Manter um peso saudável

Quanto ao tratamento, este depende do estádio do tumor no momento do diagnóstico. De forma geral, as principais opções incluem:

  • Cirurgia: É o tratamento mais comum, especialmente em estágios iniciais. A parte do cólon afetada pelo tumor é removida juntamente com os gânglios linfáticos próximos.
  • Quimioterapia: Utilizada principalmente em estágios mais avançados ou após a cirurgia para eliminar células cancerígenas remanescentes.
  • Radioterapia: Mais comum no caso de cancro do reto. Pode ser combinada com a quimioterapia.
  • Terapias biológicas e imunoterapia: Indicadas em alguns tipos específicos de cancro colorretal avançado.

O prognóstico do cancro do cólon varia consideravelmente consoante o estádio em que é detetado. Quando diagnosticado precocemente, as taxas de sobrevivência são bastante elevadas. Segundo dados da Direção-Geral da Saúde, a taxa de sobrevivência a 5 anos, nos casos detetados nos estágios iniciais, pode ultrapassar os 90%.

De referir ainda que o acompanhamento pós-tratamento é fundamental. Os sobreviventes de cancro do cólon devem manter um regime rigoroso de vigilância médica, incluindo exames periódicos para deteção de recidivas e controlo do estado de saúde geral.

O cancro do cólon é uma doença grave, mas não invencível. Com uma atitude preventiva, rastreio regular e acesso a cuidados médicos adequados, é possível não só diminuir significativamente a sua incidência, como também aumentar a taxa de sobrevivência.

Em suma, o cancro do cólon deve ser encarado como uma prioridade de saúde pública. A consciencialização sobre os fatores de risco, sintomas e a importância do diagnóstico precoce são pilares fundamentais na luta contra esta doença. A incorporação de hábitos de vida saudáveis, aliada à participação ativa em programas de rastreio, permite não apenas prevenir o desenvolvimento do cancro, como também assegurar um tratamento mais eficaz e com melhores prognósticos para aqueles que são diagnosticados. Uma população informada é, sem dúvida, uma população mais protegida.